No dia 11 de maio de 1975, o extinto jornal "Notícias Populares" estampava em sua primeira página: "Nasceu o diabo em São Paulo". Com a manchete, nascia também a saga do Bebê-Diabo, "uma criança peluda que apavorou a cidade nos anos 70", como resumiu Zé do Caixão. Para os autores do livro "Nada Mais que a Verdade", "um romance de folhetim interativo".
Divulgação
Mais que uma "biografia" do jornal, este livro é um romance fantástico
O recém-nascido, no início da história, não tinha pelos. Ele os "desenvolveu". O menino cresceu nas conversas de bar e nos comentários da vizinhança. Tornou-se uma lenda do jornalismo.
Em um hospital do ABC paulista, no dia anterior, uma criança havia nascido com um prolongamento no cóccix e duas saliências na testa. A deformidade foi rapidamente corrigida graças a uma simples cirurgia na própria maternidade.
Marco Antônio Montadon, repórter enviado ao local, decidiu escrever, sem maiores pretensões, uma crônica de horror inspirada no evento. O jornalista imaginou que o nascimento era um assunto tão fraco que não valia a reportagem. Por falta de assunto melhor, o texto foi publicado.
"Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria e pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz num hospital de São Bernardo do Campo a uma estranha criatura, com aparência sobrenaturais, que tem todas as características do Diabo, em carne e osso. O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, tem o corpo totalmente cheio de pelos, dois chifres na cabeça e um rabo de aproximadamente cinco centímetros, além de um olhar feroz, que causa medo e arrepios."
O caso foi esquecido pela redação do periódico. No dia seguinte, o jornal chegou às bancas e a criança infernal ganhou às ruas. A tiragem esgotou rapidamente, causando furor na população e nos jornaleiros. A multidão queria saber mais. "Bebê-Diabo desaparece", foi publicado no dia seguinte. O "monstrinho" continuou a aparecer por quase um mês.
Antes do diabinho, uma loira fantasma e o Vampiro de Osasco passaram pelas páginas do "NP". O sobrenatural era tema recorrente. Entretanto, nenhum dos precedente alcançou a fama como o Bebê-Diabo. Hoje adulto, ninguém sabe por onde anda o "filho do capeta". Abaixo, veja a primeira página --imagem cedida pelo Banco de Dados da Folha de S.Paulo-- e a cronologia das manchetes extraída de "Nada Mais que a Verdade".
A SAGA DO BEBÊ-DIABO NAS MANCHETES
11/5 Nasceu o diabo em São Paulo
12/5 Bebê-Diabo desaparece
13/5 Feiticeiro irá ao ABC expulsar o Bebê-Diabo
14/5 Bebê-Diabo do ABC pesa 5 quilos
15/5 Bebê-Diabo inferniza o padre do ABC
16/5 Nós vimos o Bebê-Diabo
17/5 Povo vai ver o Bebê-Diabo
18/5 Procissão expulsará Bebê-Diabo
19/5 Viu Bebê-Diabo e ficou louca
20/5 Santo previu o Bebê-Diabo
21/5 Bebê-Diabo nos telhados das casas do ABC
22/5 Médico afirma: o Bebê-Diabo nasceu no ABC
23/5 Diabo explode mundo em 1981
24/5 Bebê-Diabo parou táxi na avenida
25/5 Fazendeiro é o pai do Bebê-Diabo
26/5 Bebê-Diabo viaja para ver o pai
27/5 Bebê-Diabo aparece no lugar do eclipse
28/5 Mais 7 viram o Bebê-Diabo
29/5 Bispo morre de medo
30/5 Bebê-Diabo arrasa com ritual umbandista
31/5 Fanáticos ameaçam Bebê-Diabo no ABC
1/6 Sequestrado Bebê-Diabo
2/6 Bebê-Diabo à morte
3/6 Bebê-Diabo foge para o Nordeste
4/6 Padre de Marília: "Eu acredito no Bebê-Diabo do ABC"
5/6 Zé do Caixão vai caçar Bebê-Diabo no Nordeste
8/6 Povo vê novo Bebê-Diabo do ABC

Nenhum comentário:
Postar um comentário